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Despedida da terra da garoa

agosto 21, 2009

Bem, é chegado o ultimo dia de Sampa. Eu não quero ir embora! Isso aqui é legal demais!

Hoje eu acordei cedinho, tomei meu café no hotel mesmo e sai em busca da rodovi do Tiête. Foi barbada! Pegar trem até Paraíso e baldear para a linha azul. A rodoviaria é enorme e bem bonita, sabe. Eu lembro que achava um nojo lá. Mas acho que reformaram. Não sei. Enfim, comprei minha passagem pro RJ, saio daqui as duas da tarde.

Saindo de la, peguei o metro até a estação da luz. Lindo demais la! Eu queria ir no museu da lingua portuguesa. Lá é muito, muito legal. Tem varias exposições, um telão gigantesco com toda a extensão da estação da luz. São tres andares, no terceiro, um auditório onde assistimos um filme. Dali a pouco, simplesmente a tela girou (fantastico galera, no explications) e entramos em um ginásio onde eram feitas projeções de estrelas no teto. Lindo. Poemas, muito Fernando Pessoa. E eu chorei com a poesia do Mario de Andrade sobre Sampa. É, acho que fiquei meio vulnerável.

Sai de la e fui para a rua Jose Paulino fazer comprar. Roupas, roupas! Ja comprei uma mala tambem para levar junto com minhas comprar da galeria do rock. To torcendo pra não pagar excesso de bagagem!

Voltei pro hotel moída! Dormi umas horas e fui numa galeria aqui dos contrabandos comprar um mp3 pra minha amiga Rô. Quando sai de la, peguei maior chuva da minha vida! Tava caindo o mundo! Dei um tempo numa marquise, mas a chuva nem sinal de parar. Resolvi sair na chuva mesmo. Nao dava, tava demais. Parei na marquise em frente a Fiesp e fiquei esperando. Acendi um cigarro. Veio o guarda me tocar de la! A lei antitabagismo aqui em Sampa ta sendo cumprida á risca! So que porra, tava chovendo! Como eu ia fumar na calçada? Que raiva.

Saí indignada na chuva mesmo. Dali pelas tantas, vejo que tem uma mulher me olhando. Ja imaginei que fosse por causa da sacola que eu tava. E ela olhava, olhava. Dali pelas tantas, me ofereceu uma carona de guarda-chuva. Eu fiquei com medo dela, mas aceitei. Pensei: e se essa mulher me puxa uma faca agora e me assalta? Mantive o maximo de distancia que pude e conversei com ela. Acho que ela notou meu nervoso, pq disse:

“É minha amiga, aqui a gente tem medo de tudo. Fica desconfiado de todos, pq é perigoso. Mas a gente tem que ser menos armado sabe? E ter Jesus no coração”

Hahahaha! A moça era evangélica. Mas era tão boa gente que me deu vontade de abraçar ela quando ela entrou seu destino. Ela ia buscar a prima dela que trabalha no shopping. São Paulo é isso gente: uma cidade de muita contradição, muito movimento, solidão, mas também de solidariedade. De diversidade cultural. E é minha terra. E amanhã eu to indo, mas eu garanto, eu volto, ah, se volto.

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Vamos tomar um dorflex pra dormir?

agosto 20, 2009

Mais uma vez direto da terra da garoa! Ontem fui assistir à sessão comentada do filme “Se nada mais der certo”. Bah, o filme é um soco no estômago. Pesado, indigesto, mas com boas sacadas. O mais legal foi que o ingresso foi 4 reais, eu ganhei ainda uma pipoca e um copo de coca! Pobre é foda, mas já fiquei faceira.

Depois do filme, debate mediado pelo Fernando Meireles. Não lembro do nome do diretor, mas era um cara bem inspirado, com espírito jovem e muita paciência para aturar os adolescentes acéfalos que faziam as perguntas. Bem, não dá pra deixar passar batido a presença do Cauã Reymond. O cara é realmente muito bonito, simpático e bla bla bla. Ele sorria e caia o mundo. Cacete.

O debate teve alguns pontos altos, como o diretor não enrolando o povo e dizendo que não sabia exatamente a intenção de filmar tal cena. Poxa, quando as pessoas vão entender que cinema é reflexão, mas nunca deve ser uma coisa pronta? O diretor parafraseou Eco e disse que, quanto mais aberto um filme, melhor. Gostei.  Nada melhor que um arrotinho acadêmico para calar a boca de aborrescentes metidos a cineastas.

Bem, hoje eu tinha que acordar cedo, pois eu só tinha pago três diárias do hotel. Pq? Pq eu nao tinha todo o dinheiro quando cheguei! Bem, antes que o pessoal do hotel batesse na minha porta e me tocasse pra rua antes do meio-dia, fui tomar meu café e sacar uma grana. Bem, eu decidi tomar café no hotel mesmo (seis reais, me pareceu interessante). Regina, aprenda: o fórmula 1 é um lixo, já era em Curitiba e aqui é mais. Não tinham frios no café! Pão com manteiga e seja feliz, neguinho.

Saindo do hotel, lá fui eu me bandear a santo andré. Eu tava morrendo de medo, pq tinha que pegar trem e baldear pro metro no brás e me falaram que lá era trash. Que nada! Foi super tranquilo, fui seguindo o fluxo e quando vi ja estava no trem pra santo andré, sentido ribeirão pires. Tive que trocar de linha duas vezes: sair da verde para a linha azul na estação paraíso e descer na sé, onde peguei outro ate o bras e la no bras fiz a integração com o trem. Chegando em Sto Andre, a paisagem começou a ficar mais familiar. Peguei um taxi ate o forum, onde tinha que resolver meus problemas, mas na volta arrisquei voltar a pé. Eram duas da tarde e eu tinha muito tempo! Então, na volta, pensei que eu podia ir até a estação rodoviária comprar minha passagem pro Rio. Chegando lá, o atendente me diz:

– “Minha jovem, essa passagem é vendida somente na rodoviária do Tietê – (contendo o riso). Puta que pariu! Bem, mas já que eu estava ali, dei uma chegada até o Memorial da América Latina. Eu lembro que fui na inauguração dele! Olha, vou te contar que não achei grande coisa. Lembro que quando eu fui na inauguração parecia um mundo de grande. Hum. Será que é porque eu só tinha dez anos? 😉

Voltando de lá, pedindo informações (olha, o pessoal aqui ama dar informações, de modo geral), cheguei na consolação de novo. Vitória!

Chegando no hotel, banho rapido e simbora pra galeria do rock! Só que eu resolvi ir a pe e caminhei. Gente, caminhei demais. Acho que mais de vinte quadras. Mas cheguei la, fiz comprinhas (uma em especial, mas nao posso contar pq o mano ta lendo o blog, me disse!). Vim me arrastando, jantar no xóps a saladinha amiga e talvez depois cine. Antes, uma passada na farmacia pra um dorflex. To com uma dor na lombar de matar. Mas amanha tenho que encontrar a rodovi do tiete! Torçam por mim! Hasta!

Revista Brasileira de Terapia Intensiva

Print version ISSN 0103-507X

Rev. bras. ter. intensiva vol.19 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2007

doi: 10.1590/S0103-507X2007000100012

ARTIGO DE REVISÃO

Terapia nutricional em Unidade de Terapia Intensiva*

Nutritional therapy in Intensive Care Unit

Iára Kallyanna Cavalcante Ferreira

Nutricionista Graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Pós-Graduada em Clínica e Terapêutica Nutricional pelo Instituto de Pesquisa, Capacitação e Especialização – IPCE, Membro da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) do Hospital de Urgências de Goiânia – Dr. Valdemiro Cruz (HUGO)

Endereço para correspondência


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Esta revisão tem como objetivo levantar os principais aspectos necessários para a realização de terapia nutricional segura e eficaz ao paciente crítico.
CONTEÚDO: Foi feito um levantamento bibliográfico com livros didáticos e artigos científicos em Português, Inglês e Espanhol com resultados dos últimos 20 anos.A terapia nutricional é parte integrante dos cuidados do paciente em unidades de terapia intensiva. O seu sucesso envolve as etapas de avaliação nutricional, determinação das necessidades de calorias e nutrientes, decisão da via de infusão e o tipo de dieta empregada.
CONCLUSÕES: O uso de nutrientes com a finalidade de melhorar a função imunológica (imunonutrientes), é cada vez mais freqüente, porém seu uso não está bem estabelecido para pacientes críticos. Mais estudos clínicos são necessários para estabelecer a melhor forma de nutrir o paciente crítico.

Unitermos: imunonutrição, nutrição enteral, nutrição parenteral, paciente crítico, terapia nutricional.


SUMMARY

BACKGROUND AND OBJECTIVES: The purpose of this review is to approach the main necessary aspects for the accomplishment of safety and efficient nutritional therapy to the critically ill patient.
CONTENTS: Bibliographical survey with didactic books and scientific articles was made in Portuguese, English and Spanish with results of the last 20 years. Nutritional support is an integrant part in the care of patients in intensive care units. The success of the nutritional therapy involves the stages of nutritional assessment, determines the route of diet infusion and the calories and nutrients needs.
CONCLUSIONS: The use of nutrients with immune function (immunonutrients) is each more frequents, however, its use is not well established for critical illness. More clinical studies are necessary to establish the best form to nourish the critical ill patient.

Key words: critical ill patient, enteral nutrition, immunonutrition, nutritional therapy, parenteral nutrition


INTRODUÇÃO

A terapia nutricional é peça fundamental nos cuidados dispensados ao paciente crítico, devido às evidências científicas que comprovam que o estado nutricional interfere diretamente na sua evolução clínica1.

O paciente desnutrido cursa mais facilmente com infecção, demora mais para cicatrizar, exige maiores cuidados intensivos e permanece internado por mais tempo no hospital e unidade de terapia intensiva (UTI)2.

O paciente crítico, após a agressão, sofre uma série de alterações hormonais visando manter a homeostase hemodinâmica. Estas alterações causam, dentre outros efeitos, intolerância à glicose e catabolismo protéico elevado. A oferta de nutrientes, embora não possa reverter a proteólise, a gliconeogênese e a lipólise associadas ao estresse, pode reduzir as conseqüências do catabolismo exacerbado, melhorando a evolução clínica3.

Fatores inerentes ao tratamento, como ventilação mecânica, uso de sedativos e fármacos vasoativos, tornam o suporte nutricional um desafio aos profissionais envolvidos. A via de administração da terapia nutricional, o tipo e a quantidade de dieta ofertada devem ser criteriosamente avaliados para diminuir o aparecimento de complicações4.

A proposta deste estudo foi abordar os principais aspectos necessários para a realização de terapia nutricional segura e eficaz ao paciente em estado grave.

O levantamento bibliográfico foi feito através de livros didáticos e artigos científicos nas linguagens portuguesa, inglesa e espanhola, via internet, nas bases de dados CAPES, MedLine e PubMed, sendo considerados os resultados publicados nos últimos 20 anos.

O objetivo deste estudo foi levantar os principais aspectos necessários para a realização de terapia nutricional segura e eficaz ao paciente crítico.

AVALIAÇÃO NUTRICIONAL

Os parâmetros utilizados na avaliação nutricional incluem avaliação clínica, antropométrica, bioquímica e imunológica5.

A história clínica deve abordar alterações da ingestão alimentar (inapetência, disfagia, jejum para procedimentos) e perdas excessivas (vômitos, fístulas, diarréia, má absorção)6. A avaliação física inclui o aspecto geral do paciente, observando se ele apresentava edema, ascite, caquexia, obesidade, alterações cutâneas, alterações mucosas, petéquias ou equimose, glossite, estomatite ou queilose. O sistema músculo-esquelético foi inspecionado e palpado, com atenção especial aos bíceps, tríceps, quadríceps e aos músculos interósseos das mãos7.

O dados antropométricos incluem medidas de dobras cutâneas, circunferências e divisão dos compartimentos corporais. Contudo, a utilização em pacientes internados em UTI tem valor limitado, devido a possíveis alterações na interpretação dos resultados8.

O peso seco e a altura são utilizados para calcular o peso ideal, o percentual de perda de peso e o índice de massa corporal (IMC), que é o peso dividido pela altura elevada ao quadrado9. O IMC apresenta limitações devido às alterações no peso corporal freqüentemente presentes. Valor abaixo de 18,5 kg/m2 está relacionado com maior permanência em UTI, aumento de complicações pós-operatórias e dificuldade em retorno à alimentação por via oral (VO). Em geral, valores abaixo de 15 kg/m2 associam-se a aumento na morbimortalidade8.

Os parâmetros de medida como dobras cutâneas, circunferência muscular do braço (CMB) e outras circunferências (braço, panturrilha) têm valor limitado na avaliação nutricional, devido à interpretação controversa dos resultados pelas alterações freqüentes no compartimento hídrico9.

O índice-creatinina-altura (ICA) é uma maneira laboratorial de expressar um índice antropométrico, realizado através de coleta precisa da urina de 24 horas. Devem-se considerar fatores que influenciam na excreção de creatinina, como idade, dieta, imobilização prolongada, doença renal, infecção e trauma10.

A avaliação da imunidade celular e testes de sensibilidade cutânea têm boa correlação com o estado nutricional, contudo, podem ser afetados por variáveis clínicas presentes no paciente crítico, limitando o seu uso11.

Testes de função muscular são utilizados como indicadores do estado nutricional tanto de forma ativa (força muscular respiratória, capacidade de apreensão) como passiva (resposta de contração muscular à estimulação elétrica). Esses parâmetros têm os seus usos limitados por fatores como sedação e polineuropatias12.

A avaliação subjetiva global (ASG) é um método de fácil aplicação, que classifica o paciente em bem nutrido, moderadamente desnutrido ou em risco de desnutrição e desnutrido grave. Este método tem demonstrado boa sensibilidade e especificidade na identificação de desnutrição hospitalar, mas não há comprovação da sua efetividade em pacientes de UTI6.

Assim como os parâmetros antropométricos, os testes bioquímicos também sofrem alterações no paciente crítico. As proteínas hepáticas (albumina, pré-albumina, transferrina) são comumente utilizadas para avaliação do estado nutricional. Contudo, essas proteínas têm função limitada no paciente crítico, por fatores como hemodiluição e conversão da atividade hepática na síntese de proteínas de fase aguda, resultando em diminuição das proteínas viscerais. Devido a estas alterações, valores diminuídos nestes pacientes refletem mais a gravidade da doença do que o estado nutricional13.

A bioimpedância (BIA) é um método seguro, rápido, não-invasivo e reproduzível para estimativa da massa corporal magra, e pode ser realizada na beira do leito. É uma técnica que pode ser utilizada para análise da composição corporal em indivíduos saudáveis e em muitas condições clínicas, exceto as que envolvem distúrbios na distribuição hídrica corporal. Como estes distúrbios são freqüentes em pacientes críticos, não é uma técnica recomendada7.

É importante ressaltar que não existe um teste “padrão ouro” que seja sensível e específico para detectar desnutrição no paciente crítico, pois as alterações clínicas provocadas pelo estresse metabólico limitam a interpretação dos testes. O ideal é a combinação de diversos parâmetros na prática clínica, pois a detecção da desnutrição nas suas fases iniciais, bem como avaliações periódicas do estado nutricional são necessárias para avaliar a eficácia de qualquer intervenção nutricional14.

NECESSIDADES NUTRICIONAIS

Calorias

O fornecimento de calorias de acordo com a condição clínica é fundamental para o controle metabólico adequado do paciente crítico. O gasto energético varia de acordo com o tipo de agressão (trauma, sepse, intervenção cirúrgica), grau de atividade do paciente (ventilação espontânea ou mecânica, sedação), estágio da doença e estado nutricional prévio do paciente3.

A necessidade energética pode ser estimada ou medida diretamente. Diversos métodos de avaliação do gasto energético no paciente grave foram descritos, porém todos apresentam limitações15.

A calorimetria indireta é um método não-invasivo que mede o calor liberado durante o processo oxidativo através dos valores do consumo de oxigênio (VO2) e produção de gás carbônico (VCO2). Embora seja considerado atualmente o “padrão ouro” de avaliação do gasto energético, apresenta limitações técnicas de aplicação, como custo elevado do equipamento, exigência de pessoal treinado para aferição com disponibilidade de tempo e necessidade de fração de oxigênio inspirado (FIO2) maior que 0,6, dentre outros16.

Os métodos mais comuns para determinação das necessidades energéticas são as equações preditivas, devido à facilidade de execução e custo zero. Existem atualmente cerca de 190 fórmulas publicadas na literatura para estimativa do gasto energético, que utilizam as variáveis: peso, altura, idade, sexo e superfície corporal15.

A fórmula mais amplamente utilizada é a equação de Harris-Benedict, desenvolvida em 1919, acrescida de fatores atividade e estresse. Porém, sua acurácia é limitada, pois a fórmula é derivada de predição para indivíduos saudáveis17.

Para a estimativa por equação, é preferível o uso do peso “atual” em pacientes eutróficos e desnutridos no lugar do peso desejável, e, em obesos, deve-se utilizar o peso ajustado para obesidade18.

Em pacientes hemodinamicamente estáveis em ventilação mecânica, o uso de 120% da taxa metabólica em repouso parece suprir adequadamente as suas necessidades19.

Outra medida para o cálculo do gasto energético é o método de Fick, que utiliza dados hemodinâmicos, como o débito cardíaco, a concentração de hemoglobina, as saturações venosa e arterial de oxigênio. Necessita ter inserido um cateter triluminal na artéria pulmonar20.

Além das fórmulas preditivas, o cálculo direto utilizando 25 kcal/kg/dia de peso usual parece se adequar à maioria dos pacientes8.

A European Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ESPEN) recomenda durante a fase aguda inicial, uma oferta de 20 a 25 kcal/kg/dia, e na fase de recuperação, 25 a 30 kcal/kg/dia21.

Em pacientes obesos, recomenda-se ofertar de 20 a 30 kcal/kg/dia, com base no peso ajustado para obesidade22.

Carboidratos

Trinta a 70% das calorias totais devem ser fornecidas na forma de carboidratos, na dose de 2 a 5 g/kg/dia8. A oferta de glicose deve ser ajustada para evitar níveis de glicemia > 140 mg/dL, mas estudos estão sendo realizados para definir níveis ideais de glicemia para os pacientes críticos. Pode ser necessário o uso de insulina para manter os níveis de glicose próximos ao normal20.

Lipídeos

Quinze a 30% das calorias devem ser oferecidas na forma de lipídeos8. A quantidade mínima a oferecer é de 1g/kg/dia, sem exceder a 1,5 g/kg/dia. Deve-se evitar o aporte excessivo de lipídeos, pois está relacionado a efeitos imunossupressivos, com aumento na incidência de infecções20.

O balanceamento dos vários tipos de ácidos graxos também é importante, pois pode influenciar vias de síntese de eicosanóides. Atualmente são utilizados no suporte nutricional, triglicerídeos de cadeia longa (TCL) pertencentes ás séries n-3, n-6 e n-9, individualmente ou em combinação com triglicerídeos de cadeia média (TCM)20.

Proteínas

Quinze a 20% do total de calorias devem ser fornecidos como proteína ou aminoácido8. Deve-se iniciar com aporte de 1 a 1,5 g/kg/dia. Este valor pode ser aumentado em situações de maior perda protéica (queimaduras, feridas abertas, enteropatias com perda de proteínas), devendo ser ajustado de acordo com controles periódicos de balanço nitrogenado e alterações na uréia plasmática, para promover retenção nitrogenada e síntese protéica20.

A dose protéica deve ser reduzida nos casos da perda de nitrogênio urinário exceder a 100 mg/dL ou o nível de amônia sanguínea se associar à encefalopatia clínica8,9. Em pacientes obesos, recomenda-se aporte protéico de 1,5 a 2 g/kg/dia de peso ideal22.

Água, Eletrólitos e Vitaminas

Não estão bem estabelecidas as necessidades de vitaminas, minerais e elementos-traço nos pacientes críticos. A determinação das necessidades de água e eletrólitos deve ser baseada na determinação do balanço diário destes elementos, incluindo parâmetros cardiovascular, renal, hepático e testes bioquímicos3.

Deve-se monitorar constantemente fósforo, magnésio e zinco para, se necessário, adequar a oferta a fim de manter níveis séricos normais8,20.

As calorias totais devem ser fornecidas em volume consistente com as necessidades de líquidos. Em geral, é necessário 1 mL de água por caloria administrada8.

TERAPIA DE NUTRIÇÃO ENTERAL (TNE)

A TNE faz parte da rotina de tratamento intensivo em pacientes impossibilitados de utilizar a via oral para alimentação que possam utilizar o trato gastrintestinal (TGI). O uso da nutrição enteral (NE) está associado a redução no número de complicações infecciosas, manutenção da integridade da barreira mucosa intestinal e redução da translocação bacteriana23.

Quanto ao posicionamento da sonda, o uso de alimentação pós-pilórica quando comparado á infusão gástrica reduz a prevalência de regurgitação, pneumonia associada à aspiração e aumento da quantidade ingerida de nutrição enteral, mas não há diferença entre os dois métodos com relação à redução da mortalidade e do tempo de internação24.

Recomenda-se sempre verificar o posicionamento da sonda no trato digestivo. Em unidades em que há dificuldade de acesso, a NE pós-pilórica deve ser considerada em pacientes com alto risco de intolerância à NE (uso de inotrópicos, sedativos, drenagem nasogástrica), ou quando há risco de regurgitação e aspiração. Em unidades em que não é possível obter o acesso intestinal, considerar a alimentação pós-pilórica estritamente para pacientes que apresentam repetidamente alto resíduo gástrico, e que não toleram quantidades adequadas de NE no estômago21,25.

Muitos pacientes críticos após lesão ou em pós-operatório desenvolvem gastroparesia, o que limita a tolerância à alimentação gástrica. Contudo, a diminuição ou ausência de ruídos intestinais são geralmente interpretados como indicativos de que o intestino delgado não está funcionando. Já é reconhecido que a função do intestino delgado e a habilidade de absorver os nutrientes permanece intacta, independente do estado crítico, presença de gastroparesia e ausência de ruídos intestinais8,9. Estas características do paciente crítico erroneamente retardam a instituição da nutrição enteral, contribuindo para balanço nitrogenado negativo e conseqüente perda de peso14.

A presença de distensão abdominal, em qualquer caso, é um sinal de alerta que, provavelmente indica incapacidade do tubo digestivo para processar os substratos, devendo-se suspender a dieta e avaliar o paciente. A dieta poderá ser reinstituída após se descartar alterações significativas9.

A aspiração pulmonar é uma complicação temida em pacientes em UTI. Muitas estratégias são utilizadas para prevenir a aspiração, como assepsia oral, posição supina, uso de sondas de fino calibre, elevação da cabeceira em 45º e cuidados de enfermagem26.

Nos pacientes incapazes de tolerar a alimentação gástrica (resíduo gástrico >150 mL) o risco de aspiração é alto, devendo ser obtido acesso ao intestino delgado durante o ato cirúrgico, por via endoscópica ou percutânea e descompressão gástrica simultânea, o que proporciona NE efetiva8,9.

O uso de NE precoce, isto é, com início em 24-48 horas após a admissão em UTI está relacionada a melhora do balanço nitrogenado, manutenção da função intestinal, melhora da imunidade, melhor capacidade antioxidante celular e diminuição da resposta hipermetabólica25.

Embora seja recomendada para manter a perfusão e a integridade da mucosa intestinal e seja bem tolerada na maioria dos pacientes, a NE precoce pode causar isquemia e necrose, principalmente em paciente pós-choque. Esta necrose isquêmica não envolve oclusão de vasos, e tem sido chamada de necrose intestinal não-oclusiva. Os mecanismos de ação propostos incluem o aumento da demanda metabólica da mucosa intestinal pela presença de nutrientes no lúmen, com diminuição da perfusão mucosa. A hipótese é que a distensão intestinal contribua para esta isquemia mucosa, e que a estase intestinal permita o acúmulo de toxinas bacterianas. Para pacientes que apresentam risco para esta complicação, a NE deve ser evitada até que o paciente esteja clinicamente estável27.

Diversos fatores podem impedir o fornecimento do total de calorias exigido para o paciente critico. A quantidade de dieta oferecida pode ser limitada por intolerância à dieta e a freqüentes procedimentos realizados na UTI (banho, fisioterapia, extubação, etc.). Estudos apontam um oferecimento energético abaixo do necessário em muitos pacientes, podendo piorar a desnutrição e agravar o quadro clinico28. Protocolos de NE parecem ajudar a efetivar as praticas de alimentação e limitar interrupções desnecessárias25.

Recomenda-se iniciar a terapia nutricional com fórmulas com proteína intacta (polimérica). Fórmulas à base de peptídeos podem beneficiar pacientes com complicações gastrintestinais (síndrome do intestino curto, pancreatite, etc.), sendo necessários mais estudos para definir a sua recomendação21,25.

A instalação de traqueostomia é uma oportunidade para iniciar a dieta via oral em pacientes dependentes de ventilação mecânica (VM). Porém, muitos pacientes que permanecem longos períodos ventilados por traqueostomia apresentam disfagia, pois os tubos fixados na laringe impedem a coordenação do movimento de deglutição, alterando o fechamento da glote. O ideal é avaliar e tratar a disfagia com um protocolo e um fonoaudiólogo, durante a reintrodução da dieta por via oral29.

NUTRIÇÃO PARENTERAL (NP)

Em geral, a NP é indicada a pacientes impossibilitados de utilizar o trato gastrintestinal durante sete a 10 dias, que apresentem perda de peso superior a 10% do usual, incapazes de tolerar a NE ou quando contra-indicado o seu uso e que não apresentem doença terminal7.

O uso de NP está relacionado com maior número de complicações, inclusive na via de acesso e ao custo elevado. As formulações parenterais não são tão completas quanto as enterais, porém a meta nutricional é atingida com maior facilidade por via parenteral8.

A administração de NP é contra-indicada em pacientes hemodinamicamente instáveis (choque séptico, cardiogênico, hipovolemia), edema agudo de pulmão, anúricos sem diálise e na presença de distúrbios eletrolíticos e metabólicos graves30.

Infecção no local do cateter é uma complicação comum que pode levar a sepse, associada a aumento da morbidade, mortalidade e maiores custos. O tratamento da sepse envolve remoção do cateter e antibioticoterapia apropriada. Protocolos de inserção e cuidados com cateteres devem ser implantados para prevenir complicações7.

A NP deve iniciar com 100 a 150 g de glicose, e baixas concentrações de cloreto de sódio (NaCl), sendo realizada a monitorização estrita de eletrólitos (diariamente nos primeiros 2 a 3 dias) e controle glicêmico (a cada 6 horas até normalizar valores de glicose)8.

A infusão de glicose estimula a secreção de insulina adicional e tem um efeito antilipolítico. A hiperglicemia limita a quantidade ofertada de glicose e o grau da hiperglicemia induzida pela NPT é diretamente proporcional à dose de glicose infundida e ao grau de lesão23. Muitos pacientes necessitam utilizar insulina regular junto à administração de NPT, como componente da fórmula ou com administração subcutânea suplementar8.

Uma maneira de prevenir a hiperalimentação é pela análise do quociente respiratório (QR). Valores maiores que 1 geralmente indicam hiperalimentação. Valores entre 0,8 e 1 indicam produção elevada de gás carbônico8.

Os lipídios são administrados na forma de emulsão. Inicialmente as emulsões lipídicas eram unicamente à base de soja, contendo somente ácidos graxos de cadeia longa (AGCL). Estudos demonstraram que as emulsões lipídicas à base de soja, ricas em ácidos graxos poliinsaturados (PUFA) n-6 afetavam negativamente os sistemas imunes, relacionando o excesso de n-6 e a baixa quantidade de n-3 em maior risco de peroxidação, com alteração na função de neutrófilos, linfócitos, monócitos e macrófagos. A descoberta destas alterações estimulou o desenvolvimento de novas composições comerciais, com diferentes tipos de ácidos graxos31.

Os triglicerídeos de cadeia média (TCM) apresentam hidrólise mais fácil e rápida que os triglicerídeos de cadeia longa (TCL), sendo produzidas emulsões comerciais com mistura TCL/TCM (soja e coco, respectivamente) na relação 50:5032. Contudo, esta mistura também afeta a função dos neutrófilos. Recentemente foram desenvolvidas emulsões à base de óleo de oliva e soja, com baixa concentração de poliinsaturados (PUFA) e ricos em ácidos graxos monoinsaturados (MUFA), que apresentam menos efeitos inibitórios do sistema imune, com boa tolerância e preservação da função hepática33.

Emulsões contendo óleo de peixe aumentam a incorporação de n-3 nas membranas celulares, e não prejudicam a coagulação e a função plaquetária. Estas emulsões parecem preservar a função imune e prevenir alguns aspectos da resposta inflamatória, com redução do tempo de internação no hospital e na UTI31.

Os aminoácidos são incluídos na NPT como fonte de nitrogênio para a síntese protéica. A dose de proteína deve ser ajustada com monitorização periódica, mas não deve ser excessiva pelo risco de azotemia8.

A administração de aminoácidos essenciais (AAE) para pacientes com insuficiência renal34 e aminoácidos de cadeia ramificada (AACR) em pacientes com insuficiência hepática35 não tem demonstrado efeito positivo quando comparados ao uso de solução-padrão.

A vitamina K não faz parte das multivitaminas presentes na solução de NP, devido a alterações que podem causar em pacientes recebendo anticoagulantes. Portanto, pacientes em uso de NPT que não fazem terapia anticoagulante devem receber vitamina K suplementar36.

As necessidades de sódio e potássio são muito variá­veis, sendo adicionados à NP de acordo com as necessidades individuais. O conteúdo de cloreto e acetato deve ser ajustado para manter o balanço ácido-base, geralmente com quantidades iguais, mas podem exigir ajustes individuais. As quantidades de magnésio, cálcio e fósforo devem ser baseados nas necessidades, sendo suplementados quando necessário. Ferro não é adicionado à solução de NPT, devendo ser administrado por via venosa36.

NUTRICÃO ENTERAL ASSOCIADA À NUTRICÃO PARENTERAL

Quando a necessidade nutricional não é atingida com o uso de nutrição enteral (NE), a suplementação com nutrição parenteral (NP) é uma possibilidade. A associação da NE e NP têm sido analisadas em duas vertentes, quando a NE e NP são iniciadas simultaneamente e a NP é interrompida quando o paciente tolera totalmente a NE ou quando a NP é introduzida apenas após alguns dias de NE, quando confirmada a intolerância à NE.

A análise de estudos comparando a introdução simultânea de NE e NP demonstrou aumento na mortalidade quando comparado ao uso de NE isolada. A NP suplementar não foi associada a aumento na incidência de infecções e tempo de internação e ventilação mecânica. Mesmo quando excluídos da análise os pacientes hiperalimentados, os resultados permaneceram, demonstrando que a alta mortalidade da associação não está relacionada à hiperalimentação25.

Em pacientes que não conseguem atingir suas necessidades somente com a NE, os benefícios da associação parecem sobrepor os riscos potenciais, sendo recomendadas as suplementações com NP. Deve-se ter cuidado, contudo, para que a NP não exceda à necessidade energética do paciente, causando hiperalimentação, devendo haver controle metabólico rigoroso21.

CONTROLE GLICÊMICO

A hiperglicemia é uma reação natural do organismo ao estresse metabólico, devido às alterações hormonais. Além disso, os cuidados ao paciente crítico aumentam a resposta hiperglicêmica, com o uso de corticosteróides, agentes adrenérgicos e suporte nutricional rico em glicose. Apesar de ser uma resposta normal do organismo, a redução dos níveis de glicemia melhora a evolução e diminuem o risco de complicações, especialmente infecciosas37.

Van den Bergue e col.38 em estudo prospectivo aleatório em UTI cirúrgica avaliou o controle glicêmico estrito através de protocolo de infusão contínua de insulina para manter níveis de glicose abaixo de 110 mg/dL, e observaram redução da morbidade e mortalidade, associados a redução da bacteremia, necessidade de diálise, transfusão, ventilação mecânica prolongada e polineuropatia.

Em recente estudo prospectivo aleatório, Van den Berg e col.39 analisaram o uso de protocolo de terapia insulínica intensiva em UTI médica. O resultado demonstrou redução da morbidade, mas não da mortalidade. O risco de morte e doença foi reduzido em pacientes tratados por mais de três dias, contudo, estes pacientes não podem ser identificados no momento da admissão. A redução da morbidade resultou de prevenção de doença renal, desmame mais rápido da VM e menor tempo de UTI e internação.

A terapia insulínica tem demonstrado ser promissora para uso de rotina em UTI. Mais estudos são necessários para definir faixas ideais de glicemia em diferentes situações clínicas.

IMUNONUTRIÇÃO

Apesar dos avanços terapêuticos para tratamento do paciente crítico, infecção, sepse e falência de múltiplos órgãos ainda são a maior causa de mortalidade, eventualmente associado à imunossupressão. Pela forte relação entre nutrição e imunidade publicados na literatura clínica, o uso de nutrientes específicos visando a restauração e manutenção da resposta imune é cada vez mais freqüente, tanto com nutrientes isolados quanto em formulações. As dietas imunomoduladoras têm como principais componentes adicionados: arginina, ácidos graxos n-3, glutamina, nucleotídeos, micronutrientes e vitaminas antioxidantes40.

O aminoácido arginina, classificado como condicionalmente essencial em estados de estresse, exerce papel na síntese protéica, como substrato para o ciclo da uréia e produção de óxido nítrico. É também um secretagogo para hormônio de crescimento, prolactina e insulina41.

O uso de fórmula suplementada com arginina tem apresentado benefícios a pacientes cirúrgicos, com redução da taxa de infecção. Porém, em pacientes críticos com sepse e infecção grave, este efeito não acontece42. A análise de ensaios clínicos bem conduzidos com pacientes críticos em geral não apontou diferenças nas taxas de mortalidade e infecção com o uso de fórmulas enriquecidas com arginina. Porém, quando analisada em população específica de pacientes com sepse, os grupos que receberam fórmula com arginina apresentaram risco potencial, com aumento na taxa de mortalidade quando comparado ao uso de fórmula padrão21,25. Uma possível explicação é que o uso da arginina pode aumentar a liberação de citocinas pró-inflamatórias e óxido nítrico, com aumento da resposta inflamatória. Nestes pacientes a administração de fórmulas ricas em arginina pode causar hipotensão temporária, aumento no débito cardíaco e diminuição na resistência vascular e pulmonar sistêmica. Devido a arginina intensificar a resposta inflamatória, os efeitos tóxicos são maiores em pacientes com sepse, síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS) ou infecção grave42. Devido ao risco potencial, associado ao uso de dietas suplementadas com arginina em pacientes com choque e sepse, o seu uso não é recomendado nesses pacientes21,25.

A glutamina é o aminoácido mais abundante no plasma. Está envolvido em diversos processos bioquímicos e metabólicos, o que o torna condicionalmente essencial em estados catabólicos. É o substrato principal de células de proliferação rápida, como enterócitos e células imunes. Estudos clínicos em pacientes críticos e cirúrgicos têm indicado que a suplementação de glutamina diminuiu a taxa de complicações infecciosas43.

O uso de glutamina apresenta benefícios a pacientes com trauma e queimaduras, está relacionado a menor número de complicações infecciosas e redução do tempo de internação44. Não há evidência científica suficiente para recomendar o uso rotineiro de glutamina em pacientes cirúrgicos ou pacientes críticos heterogêneos21,25.

O uso da glutamina tem demonstrado efeitos benéficos em pacientes críticos quando suplementado em fórmulas de NP, com diminuição da mortalidade, sendo recomendada a sua suplementação. Não há dados que demonstrem melhora na taxa de infecção e tempo de internação21,25.

Os ácidos graxos n-3 diminuem a produção de citocinas inflamatórias e eicosanóides, com diminuição da resposta inflamatória e da imunossupressão45. Sua degradação, diferente dos ácidos graxos n-6, leva à formação de moléculas vasodilatadoras, reduz a produção de ubiquitina (principal proteína indutora de proteólise), podendo ter um efeito inibidor do catabolismo protéico no paciente crítico. Por estas propriedades, pode ser utilizado com fins terapêuticos em vários estados inflamatórios crônicos e agudos46.

Os nucleotídeos da dieta são essenciais na imunidade célula-mediada. Sua presença é especialmente importante durante o desenvolvimento, maturação e reparo intestinal. Suplementos de nucleotídeos podem ajudar a preservar a estrutura e função intestinal durante o uso de NP. Sua carência pode ter efeitos similares aos da carência de glutamina na barreira mucosa intestinal e na função de absorção. Contudo, as implicações quanto às vias de administração, a composição e a dose permanecem indefinidas, bem como o benefício clínico na alimentação do paciente crítico não está comprovada47.

O estado crítico é associado à formação de radicais livres de oxigênio e diminuição da capacidade antioxidante, levando ao estresse oxidativo. Acredita-se que o suprimento exógeno de determinadas vitaminas e elementos-traço podem ajudar a balancear os níveis de oxidantes e antioxidantes no paciente crítico48. Doses de selênio, zinco, vitaminas, C, E e beta-caroteno para pacientes críticos ainda não estão estabelecidas, necessitando de maior investigação clínica9.

O efeito dos vários nutrientes varia dependendo do fundamento fisiopatológico do quanto e como os substratos influem na função imune celular e/ou na síntese de mediadores inflamatórios e/ou geração de radicais livres49.

O maior estudo sobre dieta com nutrientes imunomoduladores em UTI geral, realizado por Kieft e col.50, analisou o efeito de fórmula imunonoduladora comparando ao uso de fórmula padrão em 597 pacientes, e não apresentou benefícios ao grupo de pacientes que receberam a fórmula enriquecida.

É plausível que muitos destes nutrientes testados individualmente tenham efeitos terapêuticos (positivos ou negativos) em grupos de pacientes, mas quando combinados, seu uso deve ser cauteloso, devido à heterogeneidade de estados clínicos e variações na gravidade da doença49.

Há necessidade de se estabelecer novos paradigmas com o foco em nutrientes isolados, administrados em populações homogêneas de pacientes em estudos clínicos rigorosos.

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Direto da Terra da garoa: overdose de cultura

agosto 18, 2009

Bem, hoje Sampa se mostrou como a típica terra da garoa: acordei e estava chovendo! Dia cinza. Bem, lá fui eu tomar café na Bela Cintra de novo e depois dar uma passeada no Margs, afinal, terça a entrada é free!

Não tenho nem palavras pra contar o quanto é legal lá. É muito bom ver obras de picasso, van gogh, portinari, renoir… Nossa, muito legal. Tem uma exposição lá sobre mitologia que é de cair o queixo. Tudo muito bem explicado, com a história e curiosidades dos mitos. Matou a pau. No andar de baixo, uma exposição de arte moderna, de um artista chinês meio maluco, com umas obras deformadas (hum, no folder dizia que era necessário um olhar mais atento pra captar a essência do artista. Será?)

Quando fui observar o último pavimento, me deparei com um concerto de música clássica. Também free, galera! Era um dueto de violoncelo e piano, com um casal alemão. Fera. Bethoven, Bach. Comprei o cd deles e fiz amizade com um casal de Brasília. Inclusive fui perseguida por um japa maluco que queria saber tudo sobre minha vida e virar meu amigo. Eu hein! Cai fora.

Saindo de lá, peguei uma sessão no HSBC cultural. O filme era “Medos privados em lugares públicos”, do Resnais. Eu lembro que um dia pedi esse filme em uma locadora em Porto Alegre e o atendente riu da minha cara. Enfim, é um filme antigo que ganhou Veneza e eu tava doida pra ver. Mas vem cá, guria, tu viaja pra ir no cinema? Sim, mas não é qualquer cinema e nem qualquer filme! É mto fera.

Vim aqui no Shooping comer uma salada. Trocentas opçoes de salada. Brócolis, linhaça, rucula. Ta, eu sei que nao costumo comer isso seguido lá em POA, mas veja bem, se tu ficasse trocentos dias comendo fast food ia achar uma alface um luxo.

Agora volto ao cine, pois tem a sessão daquele filme “Se nada mais der certo” comentada pelo diretor. Amanhã tem show de musica classica na Fiesp na hora do almoço e na quinta na estação vergueiro. Enfim, quem vem pra cá não fica parado muito tempo, tem muita opção de lazer e de cultura. Overdose de cultura!

Depois conto como foi, hasta!!

Me perdendo na cidade grande…

agosto 18, 2009

Bem, hoje eu acordei as dez da manha simplesmente torrando no sol, com a cortina aberta. Estava cerca de 30 graus! Dia lindo, então decidi ir a Santo Andre cuidar das minhas tarefas em outro dia. Primeiro fui tomar meu café da manhã na rua Bela Cintra, em um lugar bem legal que o pessoal de Sto André me indicou. Comi um beirute aos quatro queijos sensacional! Bem, eu me perdi ja para ir tomar o cafe da manhã. Estava demorando. Mas encontrei!

Decidi então visitar o parque do Ibirapuera. Tava um sol lindo demais e eu não podia deixar isso passar batido. O detalhe é que eu nao sabia como chegar!Da-lhe google maps e ate fiz amizade com a menina oriental que trabalha na lan house que eu fui. Pesquisamos itinerários na sp trans e nos confundimos mais do que nos achamos. Ok. Voltei pro hotel, peguei o tal do guia da bravo e descobri que na Brigadeiro Luiz Antonio passava onibus pra la. Como é uma travessa da paulista, nao tive medo de me aventurar. Só que caminhei pra cacete, era tri longe! Chegando na parada, pedi informações. Uma tia se assustou comigo e só faltou me bater. Mas enfim, cheguei no tão esperado parque! So que o MAM (Museu de Arte Moderna) só abre a partir de terça! Alias, o museu afro tambem! Ou seja, tava tudo fechado. Caminhei cerca de tres horas la dentro, o negocio é absurdamente grande. Me perdi. Me situei de novo. E não fazia nem idéia de como eu voltava de lá! Bem, quem tem boca… lá fui eu perguntar para os guardas (tenho medo de sair perguntando pra qq um e dar bandeira que sou turista. Acho uma exposição desnecessária, embora creia que está escrito na minha testa!)

Peguei uma passarela maluca la e entrei num tal de onibus São Francisco, que tinham me indicado. Aí me perdi de novo. Mas como minha referencia é a Paulista, foi fácil me achar. So que eu tava no começo da avenida e ja tinha caminhado tres horas! Me deu um desespero, mas vamos lá. Jantei no Mac e ainda peguei uma sessão de cinema la no HSBC belas artes. O filme era o francês “Beije quem você quiser”. Bem, eu tinha a impressão que já tinha visto esse filme, mas é sessão cineclube e meia entrada. A entrada de cine aqui é dessezeis reais galera, e se eu quiser ir seguido assim, tenho que encontrar algumas alternativas. Bem, o filme era ruim! So depressive e eu já to me sentindo meio sozinha na cidade grande. É paradoxal porque to completamente apaixonada por essa cidade. Só que tô me sentindo meio sozinha na cidade grande. Todo mundo se sente assim?

Para amanhã, a programação tem uma parada obrigatória no Masp (é de graça e fica a quatro quadras de onde estou. Absurdooo!) Bem, eu fiquei indignada hoje quando fui pedir informações turísticas aqui no hotel e não sabiam me dizer porra nenhuma. Hotel econômico dá nisso. Me orientaram a ir no Masp onde teria um posto de informações turísticas. Ao chegar lá, o guarda disse que o posto foi transferido porque os hoteis faziam esse serviço e tinha pouca demanda. Ah fala sério né? Na maior cidade do país? Foda de acreditar. Então, vou ter que fazer meus passeios por mim mesma. Fodam-se todos.

Ah! Hoje eu surtei na Fnac (de idiota, porque tem em Porto Alegre também né?). Comprei um livro legal lá. Mas meu Nick Hornby nao tinha e fiquei de cara também. Era pra ter de tudo aqui! Frustração.

Amanhã volto com novidades. Tem um filme comentado la no Belas Artes e dizem que o Cauã Reymond vai estar! Odeio essas tietices adolescentes mas acho que vai ser curioso e não vou perder.

Hasta!

Direto da terra da garoa!

agosto 17, 2009

Ahá, finalmente cheguei ao destino mais esperado: Sampa! Hoje acordei bem cedinho, tomei meu café e fui esperar o airport service la em CWB. Me deu uma dó de deixar aquela cidade tão bonita! Bem, chegando no Afonso Pena, pausa para um café (4,50 a xícara e nem era expresso! por isso que eu viajo apenas uma vez por ano!).

Ok, o vôo foi maravilhoso pq o dia estava lindo e eu consegui ver o mar. Lindo dia, e como me disse a minha amiga Anne, webjet é muito legal mesmo. Cheguei em Guarulhos ouvindo Legião Urbana e sentindo um arrepio. Estava chegando na minha terra natal. Estaria eu finalmente em casa?

Bem, para pegar o airport la em Guarulhos foi mais complicado um pouco. Existe uma variedade inúmera de linhas. Mas encontrei a linha certa. Dali a alguns minutos, já fiz amizade com um catarinense que me pediu um cigarro. Ele me deu umas dicas bem legais de lazer em Sampa e me orientou onde eu comprava minha passagem. Disse que cuidava da minha mala. Gelei. Mas enfim, enquanto fui comprar a passagem no guiche interno do aeroporto, ele cuidou mesmo. E até explicou pro motorista do airport o meu destino. Jóia! Tinha um colorado também lá e ficamos falando que o Sul ia dominar o mundo. Foi bacana.

Cheguei bem facilmente aqui no hotel. Não é do meu agrado, mas é o que dá pra pagar no momento. Mal tomei um banho e o pessoal de Sto Andre veio me buscar. Quando eu vi a Lu, fiquei tão emocionada! Eles me levaram até lá, prepararam um super almoço pra mim. Foi simplesmente maravilhoso! Conversei muito com a Claudete. Bem, foi inevitável falar sobre meus pais. Eu percebi o quanto está mais fácil cuidar dessas questões (themis, love u). Santo André ta muito diferente de quando eu fui embora. As pessoas continuam queridas e me receberam com um carinho aburdo.

Foi estranho estar lá. É como se eu tivesse voltado pra casa. Só algumas coisas  eu observei e fiquei com uma sensação “pertenço mas não pertenço” a isto aqui. Na verdade, eu tenho que admitir que a saudade do Sul tá falando alto. Que talvez eu seja muito mais gaúcha do que eu pense. É doido.

O pessoal me deixou aqui na Consolação, esquina com a Paulista. Sério, a Paulista dá vontade de chorar: é de se rasgar de tão linda. E eu to na quadra do HSBC Belas Artes. Que dúvida que eu terminei a noite com um cinema? O lugar é o máximo, tem trocentos filmes cults e debates com diretores. Trocentos filmes, camisetas pra vender. É um templio do cinema. Eu acho que eu podia morar lá dentro (hahahaha). Bem, assisti Paris. A escolha foi natural e nem pensei. Quando estava lá dentro, ploft, cai a ficha. Lembrei de quem me indicou e esbocei um sorriso. 

Eu tenho que dar um jeito de chegar no Sesc Pompeia pra ver a exposiçao de Sophie Calle! Voces nao tem noção do absurdo que é abrir a ilustrada e poder escolher algo pra fazer. É um sonho. Aí vem a sensação de que eu preciso morar aqui, desesperadamente.

Quanta viagem (literalmente)! Bem, hoje é um dia em que eu sabia que ficaria extremamente confusa. Alguns fantasmas sendo exorcisados. Alguns sonhos se reacendendo. Mas a sensação é de alegria, e que sim, vale, vale a pena.

Amanhã subindo pra Sampa

agosto 16, 2009

Ainda em Cwb! Amanhã cedinho partimos para Sampa. Momentos de muita tensão! Quero só ver como vai ser a chegada em Garulhos, o trajeto até o hotel e o mais importante: o momento em que vou ver a Lu e todo o pessoal que eu amo tanto. É um momento muito especial pra mim e não sei exatamente qual vai ser a minha reação. Hoje o dia foi muito calmo, tirando a confusão que eu fiz com o Ulisses (o celular dele ficou na minha bolsa). Que vergonha! Pensei em ir na Ópera hoje, mas não tinham mais ingressos. Fui então ao cinema. Lá escolhi “Mulher invisível”, já que duas pessoas bem importantes tinham me indicado. Gostei, ri bastante.

Hoje fui mais esperta e jantei num buffet a peso. A única coisa que me deixou indignada foi que peguei um táxi para voltar do cinema agora. Já começa a bandeirada de 3,50 ao entrar no táxi! Tudo bem. Mas o motorista sacou que eu era turista e deu umas voltas a mais comigo. Que ódio. Pior que eu não podia reclamar porque não saberia sugerir um trajeto, dizendo nomes de ruas. Gente assim é muito FDP!

Ah, o ingresso de cinema foi 16 reais também. Reconsidero meus planos de morar aqui, tudo muitooo caro. O diferente é que as cadeiras são numeradas (acho que o Iguatemi é assim né?) mas a sessão tava vazia e pude sentar num bom lugar.

Tomara que eu acorde amanhã porque tô com medo de perder o vôo. E de a tal lotação não aparecer. E de chegar em Garulhos. Merda de medo!

Melhor deixar disso e viver. E olha, tá valendo muito a pena 😉

Viagem de inverno – a missão

agosto 14, 2009

Direto de CWB! Bem, hoje começamos a viagem para a minha terra, aquela, a da garoa: Sampa! Para aquecimento, temos uma parada em Curitiba, a cidade das araucárias.  Meu irmão mora aqui e já visitei a cidade umas tres vezes. O que não quer dizer nada, no final das contas, porque me sinto perdida ainda!

O embarque foi hoje de manhã, e eu não fazia muita idéia de como fazer check-in, em que portão embarcar, como a coisa toda funciona. A outra vez eu viagem com o André e não lembro de nada. Bem, meu amigo Fábio tava lá pelo aeroporto para dar aquela força. Uma taça de café, o último cigarro e vamos para o portão de embarque dois. Cheguei lá cerca de meia hora antes do embarque previsto.  Entediada, ficava olhando de cinco em cinco minutos a droga da passagem para ver se eu não estava no lugar errado. Eis que senta ao meu lado um mineiro, que não demorou muito a puxar papo. Depois de uma conversinha divertida e ele elogiando a beleza das mulheres do sul (não sou gaúcha, não se esqueçam), comecei a achar a coisa bem divertida. Eis que escuto: Vôo 6789, última chamadaaaa!

É. Quase perdi o avião trovando fiado. O vôo foi ótimo, teve uma leve turbulência, que me deixou com muita saudade do meu salto de paraquedas em maio. Preciso fazer de novo! Um dia….

Chegando na terra das araucárias (ou melhor, em São José dos Pinhais, o aeroporto é lá), eu já estava amaldiçoando a taça de café que tinha tomado. Precisava de um banheiro urgente! Esqueci até que tinha que pegar a bagagem. Depois de ir no banheiro e me assustar com “trocentas” pessoas com máscara contra gripe A, busquei minha mala com meu chaveiro de ursinho. Logo após, rumo à lotação airport service, que me deixou na rua 24 horas, onde caminhei apenas uma quadra com minha mala (humilde, que pesa apenas 17 kg) para chegar ao hotel.

No caminho, dentro da lotação, ao parar na rodoviária, eu vejo na rua uma mala idêntica a minha. Sério, eu gelei. Não via a identificação da mala (o maldito chaveiro de urso), que estava virado para o outro lado. Pensei “cacete, e se eu perder minha mala agora?”. Mas não era a minha mala. Quando cheguei ao meu destino, o motorista me trouxe a mala correta e suspirei aliviada.

Chegando no hotel, um bom banho e cama! Dormi umas duas horas (mesmo com as funcionarias limpando o quarto ao lado com aspirador de pó). Tava moída! Depois, fui pro centro pesquisar coisas legais nas lojas que ja conheço. Tudo caro, igual ao sul. Comprei apenas umas echarpes de uma loja de tecidos que vende tudo a preços simbólicos (balaião, saca?)

Agora vim jantar no shopping estação. Fui comer num lugar chamado Fast Grill (tava mais pra slow grill, mas tudo bem) . Eu tava desesperada pra comer salada! Após selecionar uma salada e escolher um bife, a surpresa: acredito que tres pessoas comiam aquela porçao! Sobrou comida e só faltou escrever “amadora” na minha testa.

Hoje de noite encontro meu amigo Ulisses e vamos dar uma volta na noite por aqui! Logo volto com novidades!

Show do Fito Paez em Porto Alegre – 13/09/2008

setembro 16, 2008

Nem mesmo o frio de oito graus da noite do último sábado impediu os fãs de Fito Paez saírem de casa. Seu show no Pepsi on Stage, agendado para as nove da noite, reuniu os admiradores desse argentino, celebrizado com seu hit “Mariposa Tecnickolor” em uma só voz.

Eu também estava lá. Apesar de termos chegado um pouco em cima da hora, não ficamos muito tempo na assustadora fila que se formava em frente ao ginásio. Enquanto eu ajeitava o cachecol no pescoço para escapar do frio, pude ouvir dois garotos comentando na fila “Bah, Fito Paez no sul é foda”. Essa grande ligação com o público gaúcho foi sinalizada pelo cantor, que disse que tocar em Porto Alegre é como tocar em casa.

O show não estava lotado. O clima mais intimista foi balançeado pela banda que acompanhava Fito, os argentinos “The Killing Burritos”, que deram uma levada muito rock’n roll e não deixaram a peteca cair. Fito abriu o show, com quarenta minutos de atraso, com uma canção do seu cd Rodolfo, “Ciudad de los pibes sin calma”, com um arranjo bem rock’n roll, prometendo uma grande noite. Poucos sabiam cantar, mas era evidente a admiração pela presença de palco do argentino, como sempre usando suas blusas de gola alta, além da marca registrada, os óculos de aro grosso. Os fãs da antiga animaram-se lá pela terceira música, quando ele engatou no piano a introdução de “11y6”. Era dificil não se emocionar com a linda canção de amor. Eu pensava “caramba, eu to vendo o Fito de pertinho”. E la seguia ele, na canção que conta do casal que por casualidade se encontrou em um café e desde então compartilhavam sua vida, desprentensiosamente, vendendo rosas em La Paz.

E nesse clima de tranquilidade foi seguindo o show. Eu estava espantada pelo astral sossegado do pessoal, já antevendo empurra-empurra, pois estava na pista. Que nada. O clima era de extrema paz. Alguns se queixavam da péssima acústica do Pepsi on Stage – problema evidente e mais que notório. Fito insitia nas músicas do novo cd, para divulgar seu último trabalho, mas o público não sabia cantar. Percebendo isso, ele tentou animar a galera, até mesmo prometendo uma rodada de tequila pra todos. Com seu perfil de seriedade argentina, Fito conversou um pouco com o publico, explicando que não falava portugues e não ia insistir nisso.

Eu estava esperando a minha canção favorita, Al lado del camino. Logo ele a tocou e me emocionei muito. Das canções antigas ele fez um mix, “Um vestido y um amor” e “Dar es dar”. Versões, como “Track Track”, dos Paralamas, e “Polaroid de Locura ordinaria”, do Nenhum de Nós, também tiveram vez.

Fito fez um intervalo no meio do show, deixando os Killing Burritos tomando conta do palco. Não decepcionaram: fizeram todo mundo dançar, com seu rock’n roll de primeira qualidade. Ta aí um banda bem bacana de se conhecer. Voltou, cantou mais algumas canções e voltou para o seu bis com o hit “Mariposa Tecknicolor”. O pessoal tirou o pé do chão. Completou com a versao completa de “Um vestido y um amor”. Tudo passou muito rápido ou o show realmente foi curto? Essa é a impressão de alguns fãs, da qual compartilho. Com esse gosto de quero mais, não resta outra alternativa além de estar presente sempre nós próximos shows – espero que seja logo, porque valeu muito a pena!
Segue a set list das canções tocadas no show, segundo a comunidade brasileira de Fito no orkut:

1- Ciudad de los pibes sin calma
2- Lejos en Berlin
3- Taquicardia
4- 11 y 6
5- Gente sin swing
6- Ambar violeta
7- Cable A Tierra
8- Medley: Un vestido y un amor/ Dar es dar
9- Coki e The Killing Burritos 1
10- Coki e the Killing Burritos 2
11- Naturaleza sangre
12- El cuarto de al lado
13- Trafico por Katmandú
14- Track track
15- Al lado del camino
16- Eso que llevas ahí
17- Polaroid de locura ordinaria
18- Enloquecer
19- Circo Beat
20- Tercer mundo
21- Medley: Circo Beat/ Tercer Mundo
22- Ciudad de Pobres Corazones
23- A rodar mi vida

BIS:
24- Un vestido y un amor (de novo)
25- Mariposa Tecknicolor

11 canções para amar mais

setembro 12, 2008

Esse post foi inspirado livremente no blog do Gustavo Gitti, o “não dois, não um”. Ele e um amigo resolveram sugerir uma playlist com aquelas canções românticas, que todo mundo nega, mas sempre gosta de ouvir. O título do post é “11 canções para amar melhor“. Eu adaptei para “canções para amar mais”.
A playlist compoe-se de onze canções, uma para cada etapa de um relacionamento: desde os momentos da paquera até a ruptura. Quando vi a idéia, achei-a muito boa, e pensei que meu plágio pode ser levemente perdoado, afinal, cada um cria a sua playlist.
Aqui vai a minha playlist, com o perdão do excessivo egocentrismo, para quem quiser acompanhar as faixas das quais comento:

[mixwit_mixtape wid=”677b5a7955f1e0b1261f2dbda72f9bbe” pid=”c71d704fbcadcb09750c21f32b97d76e” un=”azevedoregina” width=”426″ height=”327″ center=”true”]

Clique na fita para ouvir
1. Primeiro Encontro
Chasing Cars – Snow Patrol

Sim, você notou algo de diferente no ar. Não consegue se desvencilhar daquele olhar, sente-se meio desajeitado, nervoso, o que o valha. Como em um desenho animado, as luzes piscam “perigo!”. Você sente que está perdido: pintou um interesse e a pergunta inevitável é: “será que vai rolar?”. Hummm. Observando cada detalhe, você deixa a coisa acontecer, ou decide tomar uma atitude. Aqui, o jogo é livre e cada um age de forma diferente na hora da conquista. Uns agem mais passivamente e esperam, outros partem para o jogo da conquista aproveitando o prazer desse momento único, em que você não sabe muito bem no que vai dar, e  é exatamente esse o grande prazer da coisa. Independente do seu perfil, é inegável que acontece alguma dúvida ou receio.
Escolhi a música do Snow Patrol, Chasing Cars, que é o supra-sumo do romantismo. Gary Lightbody canta: “We don’t need anything, or anyone. If I lay here,If I just lay here, would you lay with me and just forget the world?” (Nós não precisamos de nada nem de ninguém. Se eu deitar aqui, se eu apenas deitar aqui, você deitaria comigo e esqueceria do mundo?). Lindo demais. A letra segue, onde ele fala que palavras são muito usadas mas não necessariamente sentidas. Ele diz que não sabe como, que está confuso, mas que precisa do olhar da pessoa para seguir adiante ” All that I am, All that I ever was is here in your perfect eyes, they’re all I can see.” (Tudo o que eu sou, tudo o que eu fui, está aqui em seus olhos perfeitos, e é tudo o que eu consigo ver). Tudo bem, traduzido fica ruim, mas fica aqui a primeira musica da coletânea mega-cafona para amar mais. E tem como não ser?

*Fiquei em duvida também em colocar a canção do grupo espanhol Jarabe de Palo”No se estar enamorado”. Essa musica lindinha conta de como o cara está confuso, porque se percebe apaixonado e não sabe como lidar com a coisa. Fica a dica, caso alguem queira procurar.

2. Conquista
Dress up in you – Belle&Sebastian

Os membros do Belle and Sebastian contam que a origem do nome do grupo vem de um romance francês, mas as fofocas contam que a verdadeira inspiração foi no romance entre Isabelle Campell(Belle) e Stuart Murdoch(Sebastian). A musica “Dress up in you” em si não é a mais romantica de todas, contando com ironia a historia de uma manicure observando a vida da amiga de virou estrela de uma banda de rock. Mas, por apenas uma estrofe, essa musica caiu na minha preferência :”If I could have a second skin, i’d probably dress up in you.” No coments.

3. Striptease
You can leave your hat on – Joe Cocker

Mazáaa! É chegada a hora, “vai que é tua tafareeeel”. A conquista já está realizada e é o momento de aproveitar. Difícil bater essa música, o clássico absurdo de Joe Cocker “You can leave your hat on”. Aproveite o momento e tire tudo, deixando apenas o chapéu (nossa!)

4. Fuck Music
En la cuidad de la furia – Soda Stereo

Imaginem a minha tristeza ao descobrir essa maravilhosa banda argentina e saber que eles terminaram. Soda Stereo, comandada por Gustavo Ceratti, está sempre na minha playlist e tem inúmeras canções excelentes, uma mais bela do que a outra, embaladas pela voz rouca desse belo argentino. A minha favorita é essa: “En la cuidad de la furia”, com o trecho “Me dejarás dormir al amanecer entre tus piernas, entre tus piernas… Sabrás ocultarme bien y desaparecer entre la niebla, entre la niebla…” A versão disponibilizada pelo mixtape nao é das melhores, segue o link do youtube onde Ceratti canta com Andrea Echeverri. É um espetáculo!
http://www.youtube.com/watch?v=Z-ljuV05jTU

5. Pós-Fuck Music
Tratame Suavemente – Soda Stereo

A banda argentina Soda Stereo é tão perfeita que não nos proporciona somente a “fuck music”, como a pós tambem! Momento de calmaria, onde tudo o que você quer é carinho, fica simbolizado em “Quiero que me trates suavemente…”

6. Casamento
Cotidiano – Chico Buarque (Seu Jorge)

Casamento? Bem, é chegada a hora de compartilhar as escovas de dente. Escolhi essa musica por ser um classico da MPB (infelizmente, a versao do Chico não rodava, ficou o seu Jorge mesmo). “Todo dia ela faz sempre igual, me sacode as seis horas da manhã”. Outra música que gosto muito é a da nova cantora Roberta Sá “Interessa?”, mas o mixtape me sabotou de novo. Ela canta que ele é o maridinho que ela pediu a deus, que é o benzinho que a trata com carinho. Bonitinho.
Essa categoria foi a mais dificil para mim de ser escolhida, porque não dividi ainda as escovas de dente com ninguem. Quem sabe um dia, né? (num futuro distante, please).

7. Para dançar
Out of control – She Wants Revenge

Essa musica me dá uma incrivel vontade de dançar. Ele conta que viu ela dançando na pista e  que ela queria ficar sozinha, mas ele não teve escolha senão insistir para dançar com ela.  “The lights, they glow sideways and up and down, the beat takes you over and spins you round, our hearts steady-beating, the sweat turns to cold, we’re slaves to the DJ and out of control.” Aqui ele fala das luzes que brilhavam e compara a batida da musica as batidas dos corações deles. Uau! Tem gente que pode enfartar por ai hein galera…

8. Viagem a dois
Artic Monkeys – 505

Tudo bem, a viagem é so na imaginação do cara. Mas já ta valendo, até porque o Artic Monkeys é uma excelente banda. Enjoy.

9. Amor à distância
Chega de saudade – João Gilberto

Só podia, né. O hino dos saudosos de todos os tempos. “Sem ela, não pode ser…” O ruim é que o mixtape me sabotou de novo e eu tive que colocar a versão da Maria Bethania. Parece que o João Gilberto estava com preguiça de cantar. hehehe.

Outra de amor à distância que gosto é “Nem um dia” do Djavan. “Não te esquecerei um dia, nem um dia, espero com a força do pensamento encontrar a luz que me trará você”. De cortar os pulos, evidentemente.

10. One-night stand
Vino Tinto – Estopa

Mais uma vez o rock español. A dupla Estopa nos brinda com canções com um ritmo contagiante. Uma noite e nada mais? Aplique o papo cafa do vocalista “Soy como un vino tinto, que si me tomas en frio engaño, y con los años me hago mas listo.” Com dez cervejas na cabeça, o cara já ta perdendo a sanidade e lutando contra o desejo de puxar a morena mais pra perto. Outra canção muito boa é “Destrangis in the night”. “Si te pruebo me envenas, se no freno tu nao frenas”. Eita!

12. Ex-namorados
Bah, aqui temos pano pra manga. Todo mundo usa a dor-de-cotovelo como inspiração para as canções melosas e tristes, como se cantar a dor pudesse aliviar um pouco o sentimento. A top top ficou com Against all ods, da banda Postal Service. Tudo bem, talvez tu não conheças a banda de Ben Gibbard, mas a musica foi imortalizada na voz do cafonérrimo Phill Collins! Sim! “You’re the only one Who really knew me at all.” O chutado se descabela, como posso deixar você partir quando é o único que me conheceu por inteiro? De chorar no cantinho…
Segue como escolha dois a banda da gauchada Engenheiros do Hawai, com seu hit “Pra ser sincero”. Quer coração mais partido do que dizer “não espero de você mais do que educação, beijos sem paixão?”. Gessinger segue dizendo que os dois tem os mesmos defeitos, sabem tudo a respeito um do outro. É meu amigo, coloca o violão nas costas e segue a estrada. Já era.
De bônus, como não poderia faltar, o mestre Cartola! O maior romântico de todos os tempos chora em “Deixe-me, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar”. O mixtape ficou devendo também a lindíssima “Peito Vazio”, onde o cara literalmente se afunda no copo  mas não consegue esquecer a amada. Ah o amor! Encontros e desencontros, alegria e sofrimento. E o pior, a gente começa de novo, sempre.

Impressões curitibanas

agosto 22, 2008

Diretamente de CWB! Depois de uma viagem sonolenta de avião, mas muito boa (eu nunca tinha andado de avião), chegamos à cidade em um dia de sol lindo. Bem, para quem quase virou sapo em Porto Alegre, aquilo soava como muito promissor. Apos uma volta de carro, fomos procurar um hotel na área mais central, onde eu pudesse estar melhor acomodada, uma vez que os meninos tem negócios em Araucária, onde fica a Refinaria e é bem longe. Acabamos parando em um hotel no Bairro Centro Cívico, onde a diária parecia bastante interessante. Mas após fechada a estadia, fomos conferir a baita fria que era o hotel: um quarto pequeno demais, sem frigobar, o café-da-manhã bem tosco também. Ok, não temos frescura, é apenas para dormir, não é mesmo?

Ontem como os meninos estavam trabalhando, vim para o shooping Estação para fazer um lanche e passear. Ok, ser rata de shooping não é uma das minhas atividades favoritas – ainda mais sem grana pra gastar sem compromisso. Mas feito o passeio, pude contatar umas pelicuarilades da capital paranaense:

* Calçadas – todas em pedra tipo paralelepípedo. Como as mulheres curitibanas andam de salto? Aliás não vi nenhuma delas usando, e são todas muito feias.

*Homens da cidade – Não são cerimoniosos como os gaúchos. Fui literalmente abordada no shooping ontem (ok, deprimente, eu sei). Em Porto Alegre isso jamais aconteceria.

*Fato curioso: voltando ao super-mega-economico hotel: estava eu ontem voltando do shooping e peguei elevador com dois rapazes. Eles ficaram me olhando com um olhar estranho. Pensei “será que tá escrito na minha testa que eu não sou daqui”? Bem, eu tava achando tudo meio estranho. Ai ontem falando com o meu primo, ele me perguntou se eu não tinha vistos “pessoas estranhas” no hotel. Comentei que os caras eram bem estranhos, mas que foi impressao e o tempo de elevador foi muito rapido para tirar qualquer conclusão. Aí ele me contou que, comentando com um amigo em comum nosso, daqui da cidade, ele lhe informou que uma garota de programa usava as tão distintas instalações para recepcionar seus clientes. Nem vou comentar o nome do Hotel – so fica aqui registrado que jamais, jamais colocarei meus pes la de novo.

*A volta promete, vamos dar uma passeada de carro por Santa. A previsão do tempo não é muito animador, de chuva, mas vamos ver o que acontece.

Hasta!