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61º Festival de Cannes

maio 14, 2008

Começa hoje um dos principais festivais de cinema de todo o mundo, o Festival de Cannes. Até o dia 25 deste mês, o tradicional Palácio dos Festivais francês vai exibir 21 concorrentes à Palma de ouro, além do ciclo “Um certo olhar” e várias exibições paralelas de filmes fora da competição.

O Brasil está presente no festival, concorrendo com dois filmes: de Walter Salles(Central do Brasil), temos “Linha de Passe” e de Fernando Meirelles(Cidade de Deus), “Ensaio sobre a Cegueira”. A dobradinha cinematográfica não acontecia desde 1970, com o filme “O alienista”, de Nelson Pereira dos Santos e “O Palácio dos Anjos”, de Walter Hugo Khouri concorrendo. A única palma de ouro que foi dada a um filme brasileiro data de 1962, com o sucesso de crítica e bilheteria “O pagador de promessas”, de Anselmo Duarte. Portanto, a indicação de dois filmes em um festival onde o Brasil foi tão pouco premiado demonstra um momento próspero na cinematografia nacional, que pega carona no Urso de Berlim obtido pelo filme de José Padilha, Tropa de Elite.

O filme “Linha de Passe” retrata a vida de quatro irmãos que usam o futebol como meio de livrarem-se da pobreza. A história se passa na turbulenta cidade de São Paulo e aborda conflitos éticos, religiosos, discutindo a cidadania hoje no Brasil. No elenco, Vinicíus de Oliveira, que atuou em Central do Brasil.

Já “Ensaio sobre a cegueira” é uma adaptação do livro homônimo do escritor português José Saramago, laureado com o prêmio nobel. O filme retrata uma humanidade perdida após uma epidemia de cegueira, contando com um cast de peso, como Juliane Moore (Hanibbal), Mark Rufallo (Brilho Eterno) , Danny Glover, Gael Garcia Bernal (Diários de Motocicleta) e a brasileira Alice Braga.

O filme abriu o festival hoje e, segundo o portal G1, teve uma recepção silenciosa pela crítica. Isto talvez tenha se dado pela dureza do filme, que deve ter chocado os espectadores, logo na abertura do evento. Meirelles comentou em entrevista coletiva que talvez o filme seja um tanto quanto “indigesto”, por retratar a degradação humana:  estupros coletivos, pessoas morrendo sem auxílio médico em meio a fezes e urina. A cegueira retratada no filme transpõe a cegueira física, é também moral. Um pouco da polêmica causada pela exibição do filme você pode conferir no Blog da Redação do G1: destaque para os comentários dos internautas, sempre divertidos com suas discussões.

Duas cinebiografias chamam a a atenção na mostra de filmes paralela “Um certo olhar”. O diretor norte-americano James Toback apresenta a formação do mito do box Mike Tyson, enquanto o cineasta bósnio Emir Kusturica faz um grande panorama da vida do jogador de futebol argentino Diego Maradona.

Sendo o segundo festival mais conhecido depois do Oscar, Cannes também conta com seus filmes hoollywodianos: se dará no próximo domingo a exibição do tão aguardado blockbuster “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, após um intervalo de 19 anos sem Spilberg brindar os fãs com continuações para a série do mais celebrado personagem de Harrison Ford. O filme “Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen, também é aguardado, onde as musas do cinema Penélope Cruz e Scarlett Johanson contracenam.

O cartaz oficial do filme é uma homenagem ao cineasta David Linch, com uma imagem retirada de seu filme “O império dos sonhos”, transformada em pôster pelo artista Pierre Collier. Como homenageados, também temos o cineasta David Lean (Dr. Jivago), que completaria o centenário neste ano. O diretor português Manuel de Oliveira também é um dos homenageados, sendo um dos mais antigos realizadores de cinema ainda em atividade no mundo, com trinta e dois longa-metragens.

Para saber mais

Cobertura completa do G1

 Lá no G1 além de notícias atualizadíssimas, você confere os trailers de “Ensaio sobre a Cegueira”, “Indiana Jones e a Caveira de Cristal” e até da animação Kung Fu panda.

 Especial da Folha

Blog Folha Ilustrada no Cinema

Página oficial do Festival de Cannes em inglês

Adeus para Tuio Becker

maio 6, 2008

Uma das grandes perdas desse ano para o cenário cultural gaúcho foi o crítico de cinema Tuio Becker, que faleu na semana passada. Natural de Santa Cruz, Tuio era formado em arquitetura pela UFRGS, mas não exercia a profissão. Foi colaborador do jornal Correio do Povo, Folha da Manhã e da Zero Hora. Tuio sofira do mal de Alzhmeir e aposentou-se em 2001, para dedicar-se à sua paixão maior: ver filmes. Um dos relatos mais comoventes sobre a figura de Tuio é do amigo Luis Carlos Merten, em seu blog, que você confere aqui.

Abaixo, alguns trechos de uma entrevista sua presente em seu livro “Sublime Obsessão”, editado pela secretaria Municipal de Cultura do RS:

A paixão pelo cinema

“Lembro que em 56 comecei a anotar os filmes que via. Tomava nota do elenco, do título original, do ano que foi feito. Comecei a ler revistas do tipo Cinelândia. Pintou o interesse de ver cinema e curtir cinema e todo aquele mundo, que eu acho que tem a ver com uma forma de escape que o cinema supre. Isto eu racionalizo agora, não racionalizava na época.”

Crítica

“Fazendo cinema, tu tem uma visão de um filme. Se tu vês um filme em que o cara gastou muita grana para fazer e o filme é uma droga, a gente pensa: mas que perda de tempo. Eu acho que uma pessoa que não trabalha com cinema vai dizer que aquilo é uma droga e pronto. Mas, de repente, tem todo o trabalho do cara por trás disso. Nenhum filme é descartável. Todos filmes têm alguma coisa. ”